Introdução
Em nossa sociedade temos um modelo econômico que compromete o
equilíbrio do ecossistema e a manutenção da biodiversidade, pois os interesses
econômicos se sobrepõem às questões ambientais. Além disso, nosso modo de vida
ocidental de nossa sociedade baseia-se na ideia do ser humano como sendo
possuidor do ecossistema, sendo este apenas objeto a atender a ambições de uma
minoria. Consequentemente o que ocorre atualmente é o agravo de grandes
problemas ambientais que podem comprometer o equilíbrio ambiental e a vida humana
na Terra.
Dentre os problemas ambientais, podemos citar possíveis mudanças
globais climáticas, perda da biodiversidade, destinação incorreta de resíduos
sólidos, proliferação de doenças emergentes e reemergentes com o
comprometimento da qualidade de vida. No caso dos resíduos sólidos, segundo Siqueira e
Morais (2009) é um problema que têm aumentado nas sociedades contemporâneas,
implicando a deterioração da qualidade de vida nos grandes centros urbanos e
podem resultar em riscos à saúde pública, provocam degradação ambiental, além
dos aspectos sociais, econômicos e administrativos envolvidos na questão.
Contudo, desde finais do
século XX, com a I Conferência Internacional do Meio Ambiente, em Estocolmo
(1972), a problemática ambiental passou a ganhar mais espaço nas discussões
internacionais as quais enfatizam a necessidade de se pensar globalmente e agir
localmente, isto porque a dinâmica do ecossistema consiste em uma teia de
relações das quais fazemos parte e qualquer comprometimento destas relações
pode colocar em risco a existência da própria espécie humana. Torna-se
importante, dessa forma, que em nossas casas e escolas, nos preocupemos com
nossos atos buscando a viver com harmonia e sustentabilidade.
Entende-se aqui sustentabilidade como ações que promovam a
melhoria da qualidade de vida e do ambiente, de forma a garantir para as
gerações futuras o uso de recursos naturais com a mesma qualidade dos recursos
atuais. Estas ações devem ser economicamente viáveis, responsáveis socialmente
e não comprometer o ecossistema e a biodiversidade.
Frente às estas questões, as escolas baseadas nos pilares do
aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver com os outros e
aprender a viver juntos, possuem papel fundamental na promoção de ações
sustentáveis que tenham como pressuposto a ideia do ser humano como integrante
do ecossistema e a Terra como um organismo vivo, com dinâmica própria a qual
deve ser respeitada.
Enfim, a escola é um espaço de diálogo, troca de saberes e
fazeres democráticos e sustentáveis para a promoção da qualidade de vida. A
escola e a comunidade devem agir conjuntamente para implementar ações
sustentáveis que possam melhorar a qualidade de vida e do ambiente,
contribuindo para que nosso município, estado e país sejam sustentáveis. Faz-se necessário que a escola compreenda a
realidade ambiental vivenciada por sua comunidade, trabalhe com a autoestima e
autoconfiança, tornando-a consciente da responsabilidade de cada um para a conservação
dos recursos naturais e da importância de ações coletivas e do controle social.
Neste contexto, a Escola Estadual Glória Penchel juntamente com
a comunidade escolar, entende que a problemática do lixo deve ser trabalhada na
escola e na comunidade, pois este é um problema individual e coletivo que pode
servir como fonte de proliferação de agentes transmissores de doenças como o
mosquito da dengue e leshimaniose, enchentes, deslizamentos, dentre outros,
problemas estes presentes no cotidiano da comunidade em questão.
Objetivos (o quê?)
Objetivo geral
Contribuir para
a construção de um ambiente mais limpo e saudável na comunidade e escola com a
participação de todos.
Objetivos
específicos
Ø
Implementar
práticas corretas sobre a destinação correta de resíduos sólidos na escola e
comunidade;
Ø
Fazer
da escola espaço disseminador e motivador de ações sustentáveis;
Ø
Motivar
a participação da comunidade e dos alunos com a valorização e resgate da autoestima
e auto confiança dos mesmos.
Justificativa ( Por quê)
O trabalho sobre
a destinação dos resíduos sólidos foi a proposta eleita durante a Conferência
Ambiental Infanto-Juvenil realizada na escola, dentro do subtema terra. Isto
porque o problema do lixo é um problema vivenciado durante o cotidiano escolar e
na comunidade, fazendo-se necessárias ações contínuas e instigadoras da boa
prática de redução da geração do lixo e a destinação correta dos resíduos
sólidos.
Cabe ressaltar
que se entende por lixo, conforme verificado por Rêgo et al (2002), quando ocorre
a opção pelo descarte o objeto e seu
destino será removido para lugares fora
do domicílio, mas como os costumes se alteram ao longo do tempo, a definição e
caracterização do que é lixo podem
refletir mudanças temporais.
De acordo com Siqueira
e Morais (2009), em relação à saúde pública, os resíduos sólidos urbanos ocupam
papel estratégico na estrutura epidemiológica de uma comunidade, pois de forma
indireta podem contribuir para transmissão de doenças provocadas pela ação dos
vetores, que encontram no lixo condições adequadas para a sua proliferação e contaminam
ar, águas superficiais e subterrâneas e, consequentemente, o solo.
Assim, o lixo
além de ser um problema ambiental é também um problema social e de saúde. No
município de Teófilo Otoni possui altas taxas de agravos que também podem estar
relacionados com a questão do lixo. Dentre estes agravos destaca-se a Dengue
que segundo dados do Tabnet (2013) em 2010 foram mais de 3000 casos
notificados, em 2012 este número chegou a 404, e em julho de 2013, foram 107
casos no município. Contudo, acredita-se que este número pode ser maior devido
a problemas de subnotificações do sistema e por muitas pessoas ao apresentarem os
sintomas mais brandos da doença não procurarem o Sistema Único de Saúde.
Outro agravo é a diarréia, pois o lixo pode
contribuir com a proliferação de moscas que podem contaminar os alimentos
provando a diarréia que pode gerar prejuízos em termos econômicos e sociais. Em
2010, foram registrados 3 casos de morte de crianças no município tendo como
causa a diarréia.
O lixo
contaminado com fezes, por exemplo, pode também, entrar em contado com água ou
contaminar o solo o que favorece a disseminação de verminoses que também é um
problema na comunidade onde a escola está inserida, pois no primeiro semestre
de 2013 os agentes públicos de saúde promoveram a medicação em massa dos alunos
da escola.
Cabe ressaltar
que a comunidade onde a escola está inserida foi considerada por Moraes (2013),
destacando os bairros, Minas Novas, Frei Dimas e Palmeiras, como sendo uma área
com baixos indicadores de qualidade de vida. Carvalho (2006), em seu mapa de
vulnerabilidade social também destaca a região como sendo de alta
vulnerabilidade. Na questão ambiental, segundo o Censo 2010, no bairro Frei
Dimas apenas cerca 74% dos domicílios permanentes possuem coleta de lixo
diretamente do serviços de limpeza, em Minas Novas este número chega apenas a
40%.
Estes dados ratificam
a importância de trabalhos realizados com a comunidade para buscar solução para
a problemática ambiental, em especial o lixo, e que ao mesmo tempo valorizem a
autoestima e confiança da população que vive em uma área de risco ambiental e
social.
Dessa forma, o
projeto deve ser realizado, pois contribuirá para o empoderamento da população,
que segundo Kleba e Wendausen (2009) pode ser entendido como processo de
autodeterminação de indivíduos e comunidades, objetivando uma participação
simbólica e real na busca da democracia e equidade, ou seja, este projeto
indiretamente objetiva promover e impulsionar grupos e comunidades na melhoria
de suas condições de vida, aumentando sua autonomia.
Assim deve-se entender a escola como sendo uma
arena de discussões da micropolíticas onde se instiga e consolida habilidades e
competências de participação comunitária que poderão ser utilizadas em instâncias
da macropolítica pela população e contribuir para a realização de ações
sustentáveis do nível local ao global.
Enfim, pode-se
dizer que a comunidade do entorno da escola enfrenta problemas sociais e ambientais
que refletem no cotidiano escolar, em particular ao que ser refere a
problemática do lixo, que envolve atitudes práticas e mínimas de jogar o lixo
no lixo à questões mais complexas como os problemas de saúde.
Dessa forma, a
escola, como espaço democrático, deve discutir e agir na promoção de ações
locais sustentáveis sobre a problemática do lixo. Ao mesmo tempo em que
fortalece a cidadania recupera a autoestima e confiança da comunidade escolar,
a qual enfrenta em seu cotidiano problemas sociais e ambientais, principalmente
ao que ser refere ao lixo, promove a inclusão, o respeito dos seres humanos
para com eles próprios, para com o outro e para com o ecossistema. O que
contribui para que nossa escola seja sustentável e nosso ambiente limpo e
saudável.
Plano de ação
O que?
|
Como ?
Atividades propostas
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Quem?
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Observações
|
Onde
|
Quando
|
Recursos
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Implementar
práticas sobre redução da geração de
resíduos sólidos e sua destinação
correta na escola e comunidade;
|
1.Visitar
algumas casas da comunidade para diagnosticar qual a percepção da mesma sobre
a problemática do lixo e levantar demandas;
2. Colocar um ponto de coleta de
pilhas e baterias na escola;
3. Confecção,
pelos alunos de material educativo a ser afixado na escola alertando sobre a
importância da redução do lixo e de sua destinação correta;
4. Colocar um
lixo para a destinação correta dos resíduos em cada sala de aula;
5. Separar o
lixo orgânico do lixo seco;
|
Escola,comunidade,agentes
públicos municipais e estaduais, professores, universidades e lideranças
locais.
|
1.Verificar recolhimento de pilhas e
baterias no município;
2. Verificar com associações locais
sobre a coleta do lixo seco.
|
Escola e
comunidade
|
Ação 1: um
mês;
Ação 3: um
mês;
Outras: 2ª semes-tre13
(perma-nente)
|
Recipiente
para os lixos;
Panfletos e
cartazes, papel reciclado.
|
Fazer da
escola espaço multiplicador e motivador de ações sustentáveis e democráticas.
|
1.Realizar debates com a comunidade
escolar, agentes públicos e universidades sobre soluções para redução de
geração e destinação correta do lixo;
|
Escola,comunidade,agentes
públicos municipais e estaduais, professores, universidades e lideranças
locais
|
1.Fazer o
contato e agendar com os membros do
debate previamente;
2. Fazer ata
do debate.
|
Escola
|
Dois meses
|
Material de
áudio e vídeo
|
Motivar a
participação da comunidade e dos alunos com a valorização e resgate da
auto-estima e auto-confiança dos mesmos.
|
1.Promover palestras sobre a relação
entre lixo e saúde;
2. Realizar oficinas com sucata,
fabricação de sabão, tintas de solos e compostagem;
3.Exposição dos trabalhos
confeccionados nas oficinas
|
Escola,
comunidade,
agentes
públicos municipais e estaduais, professores, universidades e lideranças
locais
|
1. Fazer o
contato e agendar com os palestrantes;
2.Divulgar em
âmbito local e municipal
|
Escola
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Três meses
|
Material para
as oficinas: cola, papel reciclável, sucatas, óleo usado e soda cáustica.
|
Referenciais
1.INSITUTO BRASILEIRO
DE GEOGRAFIA ES ESTATÍSTICA. Base de informações do Censo Demográfico 2010:
Resultados do universo por setor censitário. Rio de Janeiro, 2011.
2.MORAES, Denise Espíndola. Planejamento
e gestão da qualidade de vida urbana em Teófilo Otoni (MG).Dissertação
(mestrado) – UFVJM/FCBS. Programa de Pós-Graduação em Saúde, Sociedade e
Ambiente, 2013.
4.KLEBA, Maria
Elisabeth; WENDAUSEN, Agueda. Empoderamento: processo de fortalecimento dos
sujeitos nos espaços de participação social e democratização política. Saude soc., São
Paulo , v. 18, n. 4, Dec. 2009.
4.PIRES, Cynthia
Andréia Antão. Estratégia de saúde da família na cidade de Teófilo Otoni: perspectivas geográficas de
uma rede de saúde no espaço intraurbano.
2006. 137 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) ‑ Pontifícia Universidade
Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.
5.SIQUEIRA,
Mônica Maria; MORAES, M. S. Saúde coletiva, resíduos sólidos urbanos e os
catadores de lixo. Ciência,
Saúde Coletiva, v. 14, n. 6, p. 2115-22, 2009.
6.DATASUS/TABNET. Disponível em: <http://www. tabnet. DATASUS.
gov.br/cgi/deftohtm.exe?sim/cnv/inf10mg.deF>. Acesso em: 10 jan.
2013.
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